Lições que aprendi com a Apple – Dicas Produção

Quando soube da morte de Steve Jobs, fiquei imaginando o que mudou na minha vida com os produtos da Apple. Sim, é só consumo e produto, mas são bons bonitos, funcionais e para edição não há outro igual. Pensando nisso, descobri que minha relação com a Apple teve início muito antes de começar a editar em um MacBook…

Em 1999, a Apple tinha acabado de chegar ao Brasil e ia lançar aqui o produto que estava recriando a empresa, o iMac. Eu fui contratado pela assessoria de imprensa da Apple para fotografar os primeiros iMacs e o diretor geral no Brasil, Luciano Kubrusly. Os computadores tinham acabado de ser liberados pela Receita Federal e iriam para um evento de informática. Desse trabalho, fiquei com poucos cromos para mostrar, mas as lembranças desse dia foram um aprendizado.

Mas o aprendizado não foi porque eu tive contato com o iMac ou porque foi bom ver meu trabalho sendo reproduzido em vários jornais. O aprendizado foi porque cometemos vário erros na produção dessa foto. Para você, fotógrafo e cinegrafista que tem a missão de fotografar ou gravar o presidente de uma empresa ou um produto valioso, seguem algumas dicas:

1. Checar pessoalmente o estúdio ou locação. Como eu trabalhava em uma emissora de TV, não tinha muito tempo e contratei um produtor para fechar com um estúdio. A dica é que você, fotógrafo ou cinegrafista, faça isso pessoalmente. Só quem faz imagem sabe o que é preciso para produzir uma boa imagem.

2. O estúdio precisa ser o mais próximo possível do seu cliente. O estúdio ficava em um bairro próximo da Apple, mas de difícil acesso. Se naquela época o trânsito já era ruim, hoje anos depois é impraticável andar de carro em São Paulo. Claro que muito fotógrafos e videomakers possuem seu próprio estúdio, mas em SP a locação de estúdio é a melhor opção. Até porque cada produto exige uma estrutura diferente.

3. Acessibilidade. A locação precisa oferecer fácil acesso. O estúdio que locamos tinha uma escada imensa. O diretor era jovem e podia subir numa boa, mas imagine se fosse alguém com movimentação limitada. O estúdio precisa ter elevador ou rampa.

4. Conforto. O local precisa ter camarim para que a pessoa consiga trocar de roupa, preparar o discurso, se concentrar, etc. Sem contar que o maquiador deve ter um espaço próprio para seu trabalho.

5. Conforto 2. O estúdio deve disponibilizar uma área para cafezinho, água, etc.

6. Testar tudo. Antes do entrevistado, modelo ou diretor de empresa chegar, tudo deve estar testado. Esta é uma dica que parece básica, mas vale ser reforçada. Na maioria dos casos, a pessoa que será gravada/fotografada tem um horário limitado, então, teste a luz antes com um assistente ou um manequim de loja. Verifique a altura da câmera, onde as luzes estarão posicionadas, que ângulos você poderá gravar / fotografar. Enfim, deixe tudo testado antes.

7. Estacionamento. Envie para o cliente os locais onde ele pode estacionar. Avise se o estúdio tem vaga na frente, se no quarteirão existe um estacionamento pago, se é seguro chegar de carro à noite sozinho, etc. Este tipo de informação é fundamental.

8. Checar antes como o produto funciona. Não fizemos fotos do iMac ligado porque não havia tomadas suficientes e não levamos uma extensão para que os cinco iMacs coloridos pudessem estar ligados. Além disso, ligar todos sem que a extensão aparecesse na foto geral era um problema que deveríamos ter pensado antes da sessão.

Acho que a gente aprende com cada trabalho, mas principalmente com os que erramos ou tivemos problemas. Por isso, não se preocupe se aquela sessão de fotos não foi perfeita ou se algo falhou na captação. Esta é uma das “lições” que Steve Jobs sempre enfatizou: que os tropeços sempre nos ajudam nas decisões futuras. Para falar a verdade, nem lembrava destas fotos que fizemos dos iMacs, mas na hora de locar um espaço para montar o estúdio da minha produtora, a  Nihon Filmes, cada item desses foi levado em conta. Temos elevador, camarim, cafezinho e vários estacionamentos no quarteirão. Ou seja, apesar de não saber de onde vinha essa preocupação nos detalhes,  sabíamos o que era fundamental para o nosso estúdio. E como disse (de novo) Jobs, só dá para ligar os pontos no futuro.

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